Projeto Construcom : Idosos na construção civil - uma revolução social!

Vislumbrando as oportunidades no campo social da habitação e da geração de emprego e renda, o Iteva concebeu o projeto Construcom, que prevê a formação de mão de obra especializada nesse processo construtivo, desde a produção do tijolo ecológico até a edificação da obra.

O projeto Construcom visa oportunizar desenvolvimento socioeconômico e a melhoria da qualidade de vida, contribuindo com os direitos de oportunidade de trabalho e profissionalização de pessoas a partir de 60 anos em Edificação e Processos Construtivos Sustentáveis, utilizando o tijolo solo-cimento e inovações técnicas e procedimentais. As atividades são realizadas respeitando as condições físicas, intelectuais e psíquicas, assegurando assim, oportunidades e facilidades para preservação da saúde física e mental e do aperfeiçoamento moral, intelectual e social de idosos, em condições de dignidade e respeito.

Ao longo do primeiro curso, observamos baixíssima evasão e alto índice de presença em todas as aulas e atividades. Isto se deu pela qualidade do curso que os motivou, e também por oferecer a oportunidade de se sentirem produtivos. Temos uma “coleção” de depoimentos emocionantes, narrando a melhoria do humor, as condições de saúde e até a expectativa com o futuro. Concomitante à formação profissional, ocorrem atividades para o fortalecimento de vínculos não só entre os participantes, mas em favor de uma melhor convivência junto às suas famílias e à comunidade.

O número de pessoas que ultrapassam a idade de sessenta anos em boas condições físicas e mentais é uma realidade. Muitos aposentados, continuam exercendo atividades para complementar a renda, ou para se manter ativo. Em contrapartida, a maioria tem renda domiciliar per capita de até um salário mínimo e muitos vivem em abrigos. Assim, se faz necessário implementar programas voltados para pessoa idosa, pois envelhecer com dignidade no Brasil, principalmente para as camadas menos abastadas, não é nada fácil, ainda mais na era da tecnologia, que vem alijando a mão de obra desqualificada do mercado de trabalho.

O desafio depois da qualificação, será incluir essa mão de obra experiente nas cadeias produtivas. Por isso estamos focados no empreendedorismo e a organização socioprodutiva desse grupo.

O processo formativo também engloba: planejamento e gestão; segurança no trabalho e normas técnicas pertinentes. Ou seja, não é um projeto para formar pedreiros, mas sim construtores aptos; é um salto de qualidade de vida para os participantes desta formação.

Também desenvolvemos uma prensa manual com tecnologia própria, o que irá baratear a infraestrutura para aqueles que enveredarem pelo empreendedorismo, produzindo tijolos e construindo.

Paralelamente estamos entabulando parcerias com o governo estadual e com administrações municipais, a fim de fomentarmos programas de compras governamentais. Em qualquer gestão pública há a necessidade de obras (hospitais, postos de saúde, habitações, etc.), então por que não fazê-las adquirindo produtos e serviços locais? Os benefícios são mais do que evidentes, diminuindo custos, ampliando a ocupação produtiva e consequentemente movimentando a economia local.


A revolução do tijolo solo-cimento

Com técnica milenar e novo conceito construtivo, esta solução ganha cada vez mais espaço, gerando renda e diminuindo o déficit habitacional.

Solo e cimento. Estes materiais podem ser encontrados em praticamente todo lugar e são utilizados desde a antiguidade em todas as construções que vemos. Quando juntos, eles dão vida a tijolos que não precisam de fornos para serem produzidos. Essa tecnologia é positiva para o meio ambiente e também beneficia o social, apresentando ótimos resultados.

O Iteva trabalha com pesquisas e desenvolve soluções em diversas áreas tecnológicas, onde muitas das ações são aplicadas em projetos sociais. Dentre os diversos campos, nos tornamos um dos poucos especialistas na Região Nordeste em construção sustentável utilizando tijolos solo-cimento (também conhecidos por tijolos ecológicos), aplicando esse conhecimento há 15 anos.

Alguns prédios na nossa sede em Aquiraz, assim como a nova sede com 1.650 m² de área construída (em processo de edificação) no município de Eusébio são feitos com essa técnica.


Uma tecnologia que vem sendo cada vez mais utilizada

O emprego de processos modernos, como o tijolo solo-cimento, tornou-se tendência marcante, não só pela economia e consciência ambiental, mas também pela durabilidade, qualidade construtiva e alto valor agregado dessas construções.

Esse processo construtivo se encaixa muito bem na definição popular “BBB” (Bom, Bonito e Barato), pois é uma solução ecológica, econômica, resistente e agradável visualmente. Podendo ser considerado um produto de baixo impacto ambiental, o tijolo solo-cimento demonstra alta qualidade estética e durabilidade, sua modularidade reduz desperdícios e torna seu uso mais limpo durante a obra.

O melhor é que seus custos de fabricação são muito reduzidos, tanto em dinheiro e maquinário quanto em trabalho. Ele pode ser feito localmente no canteiro de obra ou por artesãos da cidade, o que estimula o empreendedorismo da região.

O solo-cimento, material confiável e de ótima qualidade, vem como uma alternativa aos tijolos convencionais (cerâmicos) que demandam extração de argila dos mananciais, desmatamento para retirada de lenha e ainda emitem gases tóxicos na atmosfera. Sem contar que no Nordeste, essa lenha é extraída da caatinga, um ecossistema frágil e único no mundo, onde estamos presenciando um avanço desordenado da desertificação em toda a região.


O processo construtivo é a “grande sacada”

Nesse processo construtivo o tijolo tem características que proporcionam uma série de vantagens, além de estilo e beleza. Sua estrutura de faces lisas e duplo encaixe (parecido com um “Lego”) oferece à obra uma dinâmica de construção muito mais rápida e econômica, onde os ressaltos e rebaixos ampliam a resistência estrutural e reduzem sobremaneira a quantidade de massa usada para assentamento (apenas filetes garantem a fixação), sendo que essa também se diferencia da utilizada em obras convencionais, pois é feita a partir da mistura de argamassa colante, cimento e do próprio solo utilizado na fabricação do tijolo.

O emprego de grautes e cintas embutidas nos tijolos, distribuem as tensões e eliminam por completo a necessidade de colunas, tornando a obra mais leve e mais limpa visualmente.

A modularidade do tijolo solo-cimento (dimensões em fração do metro linear) torna seu assentamento rápido, prático e econômico, já que o processo construtivo diminui significativamente o desperdício de materiais, como concreto, argamassa e aço.

Os furos que os tijolos possuem são utilizados para a estruturação da edificação (quando preenchidos com concreto), para a passagem das instalações elétricas e hidrossanitárias ou permanecem vazios, tendo a função natural de um exaustor, gerando conforto térmico e acústico.

O processo de construção é muito mais rápido comparado aos modelos convencionais. Isto também representa grande economia, pois a mão de obra representa mais de 50% do custo da construção. Computando os fatores limpeza, pouco desperdício de materiais, a não necessidade de rebocos (ainda que permita a aplicação de azulejos e outros acabamentos) e rapidez de execução, implicam em uma economia de até 40% no total da obra, sem comprometer a qualidade e a beleza.


Não estamos “inventando a roda” - esse material é conhecido desde a antiguidade

O solo-cimento tem sido empregado como material de construção há pelo menos dez mil anos, havendo registros de sua aplicação em culturas antigas como a grega e a romana. Parte das Muralhas da China são feitas com blocos desse material, e no período colonial esta composição foi largamente empregada (vale a pena notar que muitas delas estão em pé até hoje).

Por ser confiável e ter vida longa, o solo-cimento retorna com forte impacto ao cenário da construção civil como solução para os problemas ambientais decorrentes da queima de tijolos convencionais e do desperdício de material.

Há diversos estudos acadêmicos sobre o tijolo ecológico e seu processo construtivo, e cada vez mais vem sendo empregado, isto pode ser constatado pesquisando no Google com a procura: “solo-cimento”, o resultado apresenta mais de 13 milhões de verbetes.

Vale salientar que toda a sua produção e emprego têm suas técnicas estabelecidas e aprovadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).


Processo manual e processo industrial

Dependendo do propósito e do “fôlego” financeiro, esses tijolos podem ser produzidos numa prensa manual ou numa prensa hidráulica.

No caso da prensa manual o investimento em equipamentos varia de R$ 6.000,00 a R$ 10.000,00, dependendo dos acessórios complementares. A produção diária gira em torno dos 800 tijolos com uma equipe de três pessoas num turno de 8 horas.

Já o investimento numa planta industrial é significativamente maior, oscilando em torno de R$ 140.000,00 num sistema básico (uma prensa e um mixer), com uma produção média de quatro milheiros por dia com uma equipe de três pessoas em 8 horas.

No primeiro caso, utilizando as prensas manuais, os tijolos podem ser produzidos no próprio canteiro de obras, evitando transporte. Também são uma boa opção para microempreendedores. Em contrapartida, o processo industrial exige bem menos força física, podendo ser operado até por idosos e pessoas com algumas limitações. Este é o caminho para os empreendedores que pretendem comercializar os tijolos em maior escala.

O déficit habitacional e o tijolo solo-cimento como uma das soluções

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que o déficit de moradias cresceu 7% entre 2007 e 2017, tendo atingido 7,78 milhões de unidades habitacionais. Para atender à demanda por moradia no País nos próximos dez anos, seria necessário construir 1,2 milhão de imóveis por ano.

Em face da óbvia realidade, o tijolo solo-cimento pode ser uma das soluções para minimizar esse grave problema social. Sendo que essa mesma população poderia estar produzindo seus tijolos e construindo suas moradias; é uma questão de dignidade!

Oportunidades para geração de renda e desenvolvimento regional

Apesar do material solo-cimento ser utilizado desde a antiguidade, o tijolo solo-cimento como o conhecemos atualmente, e que permite um processo construtivo diferenciado dos modelos convencionais, só foi concebido há poucas décadas. Portanto, ainda é muito pequeno o efetivo de profissionais qualificados para construir utilizando as técnicas necessárias a este modelo de edificação. Sendo uma ótima alternativa em termos de qualidade predial e tendo poucos profissionais aptos, evidencia-se a potencialidade do mercado da construção civil com esses tijolos.

Levemos ainda em consideração que, à exceção das regiões Sul e Sudeste, existem poucas oportunidades de emprego e renda fora das capitais e cidades maiores. No entanto, em quase todo país há solo adequado à produção do tijolo ecológico, tornando-o uma excelente opção para minimizar dois problemas sociais graves: déficit habitacional e geração de renda.

Ademais, a construção civil é uma das atividades que mais oferecem possibilidades de ocupação e renda, devido sua extensão e dinamismo. Ela cresce anualmente, mesmo em meio a crises e oscilações econômicas. Quando associada à preservação ambiental, suas oportunidades são maiores e melhores.